Hoje a gente abre espaço para uma conversa inspiradora com o representante de uma das empresas mais reconhecidas do setor de controle de pragas urbanas: Dr. Rezende.
Com uma trajetória admirável e muito conhecimento técnico acumulado, nosso convidado compartilha um pouco dos desafios, aprendizados e visão de futuro em um setor essencial, mas muitas vezes invisível aos olhos de quem só percebe quando o problema aparece.
Dr. Rezende é médico veterinário e zootecnista, com experiência em grandes multinacionais na área de produção e desenvolvimento animal. Tem Especialização em Saúde Pública e mais de 30 anos de experiência na área de prevenção, combate e controle de pragas. Com uma trajetória sólida e reconhecida, ele é o representante técnico de uma empresa internacional com décadas de história — pioneira em trazer ao país um modelo estruturado, ético e inovador de atuação no segmento.
Vale a leitura!
Para iniciar nossa conversa, gostaria de agradecer a sua disponibilidade em compartilhar um pouco da sua história e conhecimento conosco. E introduzindo as perguntas, acho interessante conhecermos um pouco do início dessa trajetória: o que o levou a entrar na área de controle de pragas?
Eu ocupava a posição executiva em pesquisa aplicada e desenvolvimento de mercado em uma famosa empresa multinacional no Brasil. Ao participar de um Congresso nos EUA de Pest World, conheci uma empresa de controle de pragas com atividades baseadas na prevenção, um diferencial que me encantou e despertou meu interesse para trazê-la ao Brasil. Substituir dedetização, consumo de produtos químicos, pelo conceito de prevenção era um grande diferencial, um novo paradigma, diferente de tudo que eu conhecia aqui, no nosso país. O encantamento se tornou um namoro e posteriormente uma relação estável. A partir do contato com essa empresa resolvi enfrentar o desafio e dar uma guinada na minha carreira. Deixei o cargo que exercia para enfrentar uma nova missão, trazer para o Brasil uma empresa baseada em novo conceito relacionado à saúde e segurança, baseado na prevenção. Isso se efetivou em 1998.
Outro ponto interessante para conhecermos: há algum momento que define sua virada como profissional de referência?
Deixar um cargo e funções estabelecidas em uma empresa reconhecida internacionalmente, o trabalho com uma equipe de anos de experiência, para me tornar um empreendedor, foi um ponto de virada na minha carreira. Exigiu coragem sair da zona de conforto. Talvez a melhor metáfora para retratar esse momento seja: estar em um trapézio e, ao soltar um balanço e tentar atingir o outro balanço, você se joga, sem rede de proteção e fica no vazio, até alcançar o novo apoio. Esse foi um momento em que a zona de conforto em que eu vivia deixou de existir e o novo, para onde eu me dirigia, ainda não estava configurado. O que eu tinha naquele momento era a crença de que tudo daria certo, mas junto com a crença havia também muita incerteza.
Naturalmente, naquele momento da minha vida, analisei muito o que seria empreender, mas o risco e a incerteza do resultado estavam presentes.
Houve alguma situação que marcou por ter sido especialmente desafiadora de resolver?
Várias situações foram desafiadoras, como por exemplo, estudar os protocolos de atendimento, montar as equipes, realizar treinamento, criar franquias pelo Brasil todo para desenvolver a capilaridade da empresa, conviver em um ambiente que, naquela época, e mesmo ainda hoje, resiste à ideia de prevenção e valoriza o uso de veneno. Transformar um aplicador de veneno em agente de saúde exige esforço, treinamento e resiliência o tempo todo.
Hoje, temos um instituto de pesquisa aplicada e inovação aqui no Brasil, mas até chegar aqui, o caminho foi longo, com inúmeros obstáculos, e houve a necessidade de enfrentar muitos desafios e resistência. Não é que hoje está tudo tranquilo, os desafios mudam e somente com resiliência se consegue continuar caminhando.
Como o senhor enxerga a evolução do controle de pragas nos próximos anos?
Podemos dizer que as pragas são mais resistentes que o ser humano. Possuem comportamentos típicos que necessitam ser conhecidos para que seja possível prevenir, combater e controlar sua presença e garantir a saúde dos humanos. Houve grande evolução no conhecimento dos comportamentos de diversas pragas, o que permitiu, também, alterações de protocolos para o atendimento, desenvolver novas metodologias e obter melhores resultados. A ciência é a base deste conhecimento. Ao aplicar os conhecimentos científicos e inovações tecnológicas é possível melhorar e aperfeiçoar as intervenções e constantemente aperfeiçoar os atendimentos que realizamos. Lidamos, por exemplo, com empresas de alimentação que enfrentam problemas diferentes na recepção, no armazenamento e na manipulação dos produtos. Para cada uma destas etapas, prevenir a contaminação e garantir a segurança e a saúde dos consumidores finais exige estudo e aprimoramento constante. Cada produto alimentar em cada fase atrai pragas diferentes e exige tratamentos específicos.
Na sua opinião, o setor está preparado para os desafios relacionados às mudanças climáticas e à urbanização?
A pandemia trouxe consciência sobre a importância das mudanças climáticas e as consequências na vida humana. Um vírus é capaz de transformar radicalmente a vida de cada um de nós. E ele surge a partir da intervenção humana no meio ambiente. Hoje, há maior consciência da importância da preservação do meio ambiente e como as intervenções humanas podem trazer consequências.
A pandemia, por exemplo, nos fez desenvolver novos processos de sanitização com novos produtos e tecnologias inovadoras para garantir a ausência de vírus e bactérias nos mais diversos ambientes.
Além da pandemia vou dar alguns exemplos para esclarecer melhor este ponto.
Recentemente, na construção de uma estação de metrô, houve grande manipulação do solo o que acabou trazendo à superfície uma infestação de escorpião, que atingiu locais comerciais e até mesmo apartamentos de um prédio, nas proximidades. Foi preciso analisar a situação, propor alternativas para combater, controlar e indicar ações de prevenção na presença de escorpiões, em pleno centro da cidade.
Outro problema que enfrentamos, constantemente, é a presença de pombos que são responsáveis por grande número de doenças. A população nem sempre tem esta consciência e acaba tratando os pombos como “pets”. Isso acaba criando problemas sérios como favorecer a presença deles em restaurantes, lanchonetes, indústrias alimentícias, ou mesmo no entorno de hospitais, onde o risco torna-se ainda maior. Pela legislação é proibido matar estes animais. Assim, foi preciso desenvolver uma tecnologia para afastar os pombos das áreas de risco para a saúde das pessoas e isso sem eliminá-los. Este trabalho somente foi possível conhecendo o comportamento dos pombos e inovando com a criação de equipamentos tecnológicos para afastá-los das situações de risco.
Enfim, o que se pode afirmar é que os problemas trazidos pela urbanização se atualizam e é preciso pesquisar, inovar, criando equipamentos e novos produtos, desenvolver tecnologias e metodologias para garantir a saúde das pessoas.
Há alguém que o inspira ou é sua referência nesta área?
O velho Truly David Nolen, que em 1938 mudou o paradigma de dedetização para o de prevenção. Apesar de toda modernização que atingimos é esse princípio que nos orienta.
Se pudesse resumir sua missão profissional em uma palavra ou frase, qual seria?
O trabalho de prevenir, combater e controlar pragas é criar condições para uma vida mais saudável, com alimentos seguros para as pessoas.
O senhor sempre incentiva muito a inovação e a capacitação constante das pessoas ao seu redor, com base em CIÊNCIA. Pensando na evolução que gostaria de ver no setor, qual seria a principal conquista que ainda precisamos alcançar para tornar o controle de pragas mais valorizado e estratégico no contexto da saúde pública e da segurança de alimentos?
É preciso compreender que todos os seres vivos vivem na mesma casa, no mesmo meio ambiente. As intervenções humanas sempre têm consequência na dinâmica deste convívio. Com o apoio da ciência e tecnologia podemos compreender melhor as consequências das intervenções humanas na dinâmica da convivência com as pragas urbanas.
Aprendemos com a nossa prática que nem todos os perigos trazidos pelas pragas são visíveis a olho nu. Então, buscamos a parceria de laboratórios de microbiologia. Por exemplo, os mosquitos Aedes aegypti, quando contaminados, transmitem doenças como a dengue, febre amarela, zika e chincungunya. Hoje, podemos em uma determinada área, a partir de uma amostragem de mosquitos, identificar se eles estão contaminados, se oferecem risco maior ou menor de doenças para a população daquela área. A análise microbiológica nos permite avaliar o risco e fazer uma intervenção mais adequada para a população da área.
Aprendemos também que o uso de formulações biológicas e enzimáticas é mais efetivo, oferece menos risco às pessoas e é melhor para o meio ambiente. Assim, a partir de pesquisas aplicadas, desenvolvemos formulações biológicas e enzimáticas e estamos substituindo o uso de produtos químicos. Isso nos garante atender aos objetivos do ESG.
Com o apoio da ciência e com inovação, buscamos tornar a dinâmica de convivência do ser humano com outros seres vivos menos problemática. Tornamos as intervenções mais efetivas no sentido de propiciar uma vida saudável e com segurança para as pessoas, a partir da prevenção, combate e controle das pragas urbanas.
Aprender sempre com a experiência, buscar novas respostas, elaborar perguntas constantemente, são a base para a construção de um caminho que valoriza a prevenção de problemas de saúde e um convívio harmonioso entre os seres vivos que habitam o mesmo meio ambiente.
Agradeço ao Dr. Rezende mais uma vez pela generosidade em compartilhar sua experiência. Que essa conversa inspire reflexões e valorize ainda mais o papel do controle de pragas como parte fundamental para obter alimentos seguros.
E você, o que achou da entrevista? Deixe seu comentário ou pergunta. Vamos adorar sua contribuição!














