Conteúdo para segurança de alimentos

Food Safety no Mundo
Marco Túlio Bertolino

Riscos em segurança dos alimentos: o que causa mortes?

A segurança dos alimentos é um dos pilares da saúde pública moderna, mas continua sendo um desafio de dimensões globais, estimando-se que, todos os anos, cerca de 600 milhões de pessoas adoeçam após consumir alimentos contaminados, ou seja, 1 em cada 10 habitantes do planeta. Dessas, aproximadamente 420 mil morrem por doenças transmitidas por alimentos (foodborne diseases) segundo dados da Organização Mundial da Saúde, em 2024. Esses números revelam uma verdade incômoda: mesmo com avanços em tecnologia, rastreabilidade e boas práticas, a contaminação microbiológica continua sendo o principal risco em segurança dos alimentos, e a causa mais frequente de mortes associadas ao consumo de alimentos. No entanto, a falta de vigilância epidemiológica padronizada é um dos maiores obstáculos em segurança

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Meu olhar
Diego Campelo dos Santos

Importância da rotulagem de alimentos

A rotulagem de alimentos é parte essencial da segurança dos consumidores. Ela garante informações claras e confiáveis sobre o produto. A legislação exige que o rótulo mantenha padrões técnicos específicos. Esses padrões asseguram transparência e proteção ao público. Assim, o rótulo torna-se um instrumento fundamental para a segurança do alimento. As normas brasileiras definem requisitos obrigatórios de rotulagem. ANVISA, MAPA e o Código de Defesa do Consumidor orientam a maioria dessas exigências. O rótulo deve apresentar identificação correta do alimento. Também deve incluir lista de ingredientes e declaração de alergênicos, quando aplicável ao alimento em questão. Informações nutricionais claras são igualmente obrigatórias (com exceções previstas em norma, como é o caso de café, chás, bebidas alcoólicas, vinagres e alguns outros

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Perigos biológicos
Juliana Maier

O alimento estufado e a maturidade sanitária

No varejo alimentar, os problemas raramente surgem como grandes acidentes; eles aparecem, na maioria das vezes, como pequenas alterações que passam despercebidas por quase todos, exceto por quem tem formação técnica para interpretá-las. Um produto levemente estufado, uma lata com pressão acima do esperado, um pacote de frios inflando, um queijo liberando líquido ou uma película que perdeu o vácuo não são apenas defeitos pontuais: são manifestações visíveis de processos microbiológicos e físico-químicos que começaram horas, às vezes dias, antes de o sinal aparecer. E é justamente nesse ponto que a atuação do médico veterinário no varejo se torna indispensável, porque a leitura dessas alterações exige conhecimento científico, experiência prática e capacidade de relacionar múltiplas variáveis operacionais. Imagem criada por

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Meu olhar
Ana Silvia Mattos Gonçalves

Por que o nitrito ainda está na sua comida?

Você sabia que o bacon, o presunto e a salsicha que você consome contêm um conservante que a Organização Mundial da Saúde (OMS) colocou na mesma categoria de risco que o tabaco e o amianto? Sim, é verdade. Trata-se do nitrito. Em 2015, a Agência Internacional de Pesquisa sobre o Câncer (IARC) deu o alarme sobre os nitritos em carnes processadas, ligando-os diretamente ao câncer. Uma década depois, esses aditivos continuam em quase 90% dos produtos nas prateleiras dos supermercados. A pergunta de um milhão de dólares é: por quê? A desculpa da segurança A indústria tem uma resposta pronta: botulismo. A narrativa oficial é que o nitrito é um escudo essencial contra essa contaminação alimentar fatal. No entanto, críticos

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FSSC 22000
Vanessa Costalunga

Adeus, ISO/TS! O que muda nos PPRs com a atualização da FSSC 22000 em 2026

Uma grande mudança que teremos na atualização da FSSC 22000, já prevista para acontecer no primeiro semestre de 2026, será a alteração das normas referentes aos Programas de Pré-requisitos (PPRs) de cada escopo. A seguir, de forma objetiva, vou apresentar o que de fato vai mudar, os impactos das mudanças e o que vamos ter que trabalhar para esta atualização. 1 – O fim definitivo da série ISO/TS nos PPRs! As normas de especificação técnica de cada escopo deixam de ser ISO/TS e passam agora a vigorar como normas ISO (Organização Internacional de Normalização). Portanto, a ISO/TS22002-1 (fabricação de alimentos) passará a ser ISO 22002-1, a ISO/TS22002-4 (fabricação de embalagens) passará a ser ISO 22002-4 e assim por diante. 2

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Normas de certificação
Cíntia Malagutti

VII Workshop do Blog FSB: respostas às perguntas remotas

O VII Workshop do blog FSB foi realizado em Porto Alegre, RS, em agosto de 2025, e abordou a temática “Da Logística à Embalagem: tecnologia, inovação e Boas Práticas para garantir a Segurança dos Alimentos”. O evento contou com público online ávido por conhecimento e foram feitas muitas perguntas que não puderam ser respondidas ao vivo, devido ao tempo escasso. Agora, seguem abaixo os questionamentos e soluções, que também são úteis aos leitores que não puderam estar neste 7º encontro. E aos palestrantes-voluntários ficam nossos agradecimentos!!! Vanessa Costalunga, colunista do blog FSB, palestrou sobre “Descomplicando a legislação de embalagens seguras para alimentos: princípios básicos da Anvisa”. 1 – Vanessa, as notícias de desvios da lista positiva causam preocupação. Você entende

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Food Safety no Mundo
Marco Túlio Bertolino

Casos de botulismo infantil nos EUA ultrapassam 100 registros

A mídia internacional tem destacado uma possível correlação entre o aumento anormal de casos de botulismo infantil nos EUA e o consumo da fórmula infantil ByHeart. Botulismo infantil é uma forma rara, porém grave, de botulismo que acomete bebês menores de 1 ano, especialmente abaixo de 6 meses, causada pela bactéria Clostridium botulinum. Esta bactéria produz uma toxina capaz de afetar o sistema nervoso do bebê e provocar fraqueza muscular e dificuldade de movimentação. Trata-se de uma emergência médica porque pode comprometer os músculos respiratórios. Sintomas típicos podem aparecer de forma lenta e progressiva Constipação (o sintoma mais comum e inicial); Fraqueza muscular; Choro fraco; Dificuldade de sugar, mamar ou engolir; Sonolência excessiva; Diminuição dos movimentos; Queda da cabeça (“cabeça

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Boas práticas de fabricação
Aline Rezende Rodrigues

Estufamento tardio em queijos é um perigo à segurança dos alimentos?

Na indústria láctea,  especificamente na de queijos, podemos ter um defeito que é conhecido como estufamento tardio. Esse evento pode acontecer em queijos que estão em processo de maturação média ou longa, como parmesão e emental. O estufamento tardio tende a acontecer devido à produção de gás por bactérias do grupo butírico, como o  Clostridium tyrobutyricum, uma bactéria termodúrica, anaeróbica e produtora de esporos. O clostridium fermenta o lactato proveniente da lactose, gerando gás carbônico e gás hidrogênio que irão causar as rachaduras na massa do queijo e posterior estufamento. É possível perceber o estufamento tardio pelo som oco gerado batendo na casca do queijo e pelo abaulamento externo, muito antes de percebermos as trincas no seu interior. Para os

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Para Consumidores
Cíntia Malagutti

O alerta da Anvisa e o perigo dos microplásticos em produtos de confeitaria: brilho de verdade é segurança!

Recentemente, a Anvisa reforçou um alerta que merece atenção de todos os que produzem, manipulam ou comercializam alimentos: plásticos não são, e nunca foram, ingredientes alimentares! É um esclarecimento muito importante porque trata do perigo dos microplásticos em alimentos. O polipropileno micronizado (PP) é uma substância plástica presente em alguns glitters e pós “decorativos” vendidos como se fossem comestíveis. Embora tenham aparência atraente e sejam amplamente usados para dar brilho a bolos, doces e sobremesas, esses produtos podem conter microplásticos. E o risco vai além da estética: quando ingeridos, essas micropartículas podem provocar irritações gastrointestinais, inflamações e efeitos cumulativos no organismo. As Instruções Normativas nº 211/2023 e nº 286/2024 são claras: somente corantes e aditivos alimentares listados pela Anvisa podem

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Food Safety no Mundo
Ana Silvia Mattos Gonçalves

Dióxido de titânio nos alimentos: saúde em risco?

Você já parou para ler os rótulos dos alimentos que consome? Em meio a tantos nomes estranhos, um em particular tem gerado grande debate e preocupação entre cientistas e autoridades de saúde: o dióxido de titânio (TiO2), também conhecido como corante E171. Ele é usado para dar mais brilho e brancura a milhares de produtos, de doces a medicamentos, mas pode estar colocando a sua saúde em risco de formas que só agora começamos a entender. O que é o dióxido de titânio e onde ele se esconde? O dióxido de titânio é um pigmento branco, em pó, amplamente utilizado pela indústria alimentícia para tornar os produtos mais atraentes visualmente. Ele pode estar presente em uma vasta gama de itens

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FSSC 22000
Cíntia Malagutti

Mudanças no esquema FSSC 22.000 v.7 para 2026

Segundo o anúncio oficial da FSSC Foundation, a versão 7 está em desenvolvimento, motivada por incorporar a nova série ISO 22002-x:2025 de programas pré-requisito (PRPs). Além disso, deve fortalecer o alinhamento com os requisitos de benchmarking da Global Food Safety Initiative (GFSI) versão 2024, dar maior ênfase em práticas de sustentabilidade, em particular nas contribuições para os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), estruturada em categorias da cadeia de alimentos mais definida, para facilitar a implementação por segmento, e ainda deve trazer mudanças editoriais, clarificações de texto e refinamentos — parte do processo de melhoria contínua e quem sabe novos guias de orientações como o de gestão de alergênicos. O processo de transição tem a previsão de publicação no final do

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Boas práticas de fabricação
José Miranda

O que o seriado Chaves tem a nos ensinar sobre segurança de alimentos?

Isso, isso, isso! Chaves é um dos seriados de TV mais amados e assistidos do Brasil, com uma audiência enorme.  O personagem Chaves, criado por Roberto Bolanos no México, fez parte da infância e até mesmo da vida adulta de muitos que assistem seus episódios repletos de bom humor, típico pastelão. É cheio de personagens inesquecíveis e bordões usados até hoje. Neste texto analiso alguns episódios e algumas questões sobre temas de segurança de alimentos que podem ser usados em treinamentos ou até mesmo em abordagem para o público infantil. Leite No episódio “O Leiteiro (1973)”, em que Chaves e Chiquinha encontram uma cachorra e precisam alimentar os filhotes, há uma cena em que o Sr. Madruga adiciona água no

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Eventos
Nealina Vieitez

Workshop Food Safety Brazil 2026: vote na cidade que vai sediar este encontro

Estamos dando o primeiro passo rumo ao Workshop Food Safety Brazil 2026 e nada mais importante do que ouvir quem acompanha de perto nossos conteúdos. Por isso, abrimos votação para que você nos ajude a escolher a cidade que será palco do nosso próximo encontro. Queremos levar o Workshop Food Safety Brazil 2026 para o Norte ou Nordeste do país, regiões marcadas pela riqueza cultural, pelas paisagens únicas e, principalmente, pela força de seus parques industriais e pela presença expressiva de indústrias de alimentos e embalagens. As cidades que concorrem para sediar este evento são: Belém Fortaleza Manaus Recife Salvador Cada uma delas possui empresas inovadoras e um ambiente propício para networking e discussões que conectam teoria e prática. Agora queremos

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Para Consumidores
Ana Silvia Mattos Gonçalves

A ração do seu cachorro pode estar deixando sua família doente

Trinta e duas pessoas hospitalizadas. Oito internações. Bebês e idosos entre as vítimas. E tudo começou com algo aparentemente inofensivo: a ração do cachorro. O perigo escondido na tigela Um surto de Salmonella no Canadá acendeu o alerta vermelho: ração e petiscos contaminados estão adoecendo famílias inteiras. O pior? Seu cão pode parecer perfeitamente saudável enquanto espalha a bactéria pela casa. Os números que assustam O Surto Dados reais Infectados 32 pessoas confirmadas Hospitalizados 8 casos graves Vítimas De bebês a idosos de 87 anos Casos ocultos Para cada 1 reportado, há 26 não diagnosticados Como você está se contaminando sem saber Você não precisa comer ração para ficar doente. A infecção acontece de formas surpreendentemente simples: Aquele carinho no cachorro?

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Perigos químicos
Caio Faciolli

Do glamour ao perigo: a utilização do glitter com PP micronizado em produções alimentícias

O brilho característico dos glitters comestíveis conquistou espaço nas confeitarias, redes sociais e celebrações de todo tipo. No entanto, nem todo brilho é tão inofensivo quanto parece e pode trazer riscos ao consumidor. Recentemente, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) emitiu um comunicado alertando sobre glitter que contenha em sua composição polipropileno (PP) micronizado, devido ao potencial risco à saúde dos consumidores. O assunto veio à tona após alguns vídeos viralizados nas redes sociais, que mostravam o rótulo do glitter adquirido em lojas que fornecem materiais para o preparo de doces e bolos. O rótulo informava a presença de polipropileno (PP) micronizado como ingrediente. A Anvisa realizou um pronunciamento por meio de seu site oficial, reforçando a proibição do

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ETO_OxidoEtileno_FoodSafety_ThiagoMendona
Food Safety no Mundo
Thiago Mendonça

ETO – O uso de óxido de etileno como esterilizante em alimentos

Nos últimos anos, muitos casos de contaminação de alimentos demonstraram o risco em relação ao uso do óxido de etileno. Esse gás inflamável, conhecido no setor como ETO, pode ser empregado como agente esterilizante. Tal uso se justifica por sua capacidade de inativar microrganismos danificando o seu DNA, sendo esta a mesma propriedade que o classifica como cancerígeno. ETO e suas aplicações O óxido de etileno pode ser utilizado na esterilização de instrumentos médicos que não resistem ao calor ou à radiação. Pode também ser aplicado na esterilização de especiarias e vegetais desidratados para reduzir a presença de microrganismos como Salmonella e E. coli, principalmente quando métodos térmicos comprometeriam o aroma, o sabor ou a textura desses produtos. ETO e

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Entrevista
Cristina de Abreu Constantino

Identificação de perigos biológicos, químicos e físicos em alimentos de origem vegetal

O post de hoje é uma entrevista com o Dr. Rafael Ribeiro Gonçalves Barrocas, auditor fiscal federal agropecuário do MAPA há 18 anos. Ele é mestre em Gerenciamento da Qualidade de Alimentos pela Wageningen University (Holanda), agrônomo formado pela UFV e coautor do estudo Identificação de perigos biológicos, químicos e físicos em alimentos de origem vegetal: Riscos associados, rotas de contaminação e medidas de controle. Este estudo contém um guia com um mapeamento claro dos principais perigos associados a alimentos vegetais, facilitando a elaboração do plano APPCC e a adoção de medidas preventivas eficazes. Foi apresentado no VII Workshop Food Safety Brazil, em Porto Alegre, RS, em agosto de 2025.   1 – Dr. Rafael, pode nos contar como surgiu a

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Eventos
Aline Rezende Rodrigues

Participe do 17° Food Safety Brazil Meeting – evento on line e gratuito

Saiba tudo sobre monitoramento microbiológico do ar em plantas alimentícias No nosso dia a dia em indústrias de alimentos, vários fatores precisam ser monitorados para evitar a contaminação dos produtos. Algumas práticas como controle de matérias-primas, higienização de equipamentos, utensílios e ambiente, além de acompanhamento das boas práticas de manipulação costumam ser bastante discutidas. E quando pensamos nas condições do ar das plantas? Como fazemos esse monitoramento? Qual o impacto da carga microbiológica desse ar como possível vetor para contaminação dos alimentos? O monitoramento do ar em indústrias de alimentos é uma etapa essencial dos programas de Boas Práticas de Fabricação (BPF) e de controle microbiológico ambiental. É crescente a preocupação da indústria de alimentos quanto à qualidade do ar

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